Home » Pensamentos Modísticos

Pensamentos modísticos: valores e estilo

15 setembro 2010 64 views 16 Comments

Imagem de Catherine Muratova no illustrators.ru

Pensar sobre moda parece um contra senso quando a gente já tem tanta preocupação na cabeça. Mas ao longo dos últimos meses eu me dei conta de que esse tipo de preocupação aparentemente supérflua é o que tem me salvado de muita choradeira, ranger de dentes na hora de vestir e até de gastos desnecessários. Em outras palavras: tenho sido mais feliz por isso.

Mas como assim pensar em moda? Ficar tentando achar sentido naqueles desfiles da São Paulo Fashion Week? Não. Ou melhor, só se você quiser, nesse caso: boa sorte!

Quando eu digo pensar sobre moda, é uma reflexão bem pessoal mesmo, sobre estilo próprio, sobre o que a gente gosta de vestir, sobre compras inteligentes e no momento certo, tudo aquilo que as revistas tentam trazer mastigadinho pra gente e falham. Elas falham porque usam sempre os mesmos 2 ou 3 “modelos” de mulher, quando a maioria não se encaixa neles.

Estilo pessoal pra mim é o ponto de partida dessa brincadeira. Bom, pensando bem, autoconhecimento vem antes. Só encontra seu estilo quem se conhece bem, sabe o formato do próprio corpo, sabe seus limites, seus valores e necessidades.

Por exemplo, eu dou muito valor ao conforto. Conforto em casa, no carro, nos lugares onde eu vou (odeio filas, multidões, lugares onde não tem onde sentar). E foi um valor que inconscientemente eu trouxe para o meu guarda-roupas, que faz parte do meu estilo. Retiro todas as etiquetas das roupas, não aguento nada me apertando ou me arranhando (tecidos que pinicam, nem pensar), não uso salto-alto (problema no joelho) e não compro sapatos com “beiradas” duras que possam machucar os pés. Quando eu compro qualquer coisa, examino bem as peças disponíveis pra ver o que se encaixa nos meus padrões. Isso garante que na hora de vestir eu não fique com “medo” de certas peças e as deixe num cantinho até o próximo desapego.

Sim, é um valor pessoal que eu sei que nem todos compartilham. Não pense que eu não recebo críticas por algumas dessas restrições. Eu só não me importo, porque é uma decisão que eu tomei pro meu visual e estou convicta de que dá pra se vestir bem apesar dela.

Convicção. Segurança. Quantas aí já ouviram que essa é a chave da elegância? É o que a minha musa Julia Petit chama de “segurar o look”. Deve ser o que faz a Lady Gaga sair repetidas vezes na rua sem as calças, com cara de que é a coisa mais normal do mundo. Mas por favor, não pense que você tem que sair na rua só de calçola. Só se você absolutamente quiser.

Então que tal esse exercício? Que tal refletir sobre seus valores pra vida e identificar a maneira como você traz (ou pode trazer) algum deles pro seu modo de vestir? Hã? Hã? Hã?

Leia também

16 Comments »

  • Marta said:

    Ai Dani, acho que a esta altura da vida ainda não defini o meu estilo pessoal, no que diz respeito ao vestuário…

    Daniela Reply:

    O que falta? Olha, é uma coisa tão boa olhar um catálogo, uma revista e saber exatamente o que combina com vc… Recomendo!
    Beijos

    Marta Reply:

    O problema é que me visto conforme o estado de espírito. Tem dias que me apetece ser mais prática e vestir roupas confortáveis e outros que gosto de me produzir um pouco mais com roupas completamente diferentes…

    Daniela Reply:

    Mas pode ter certeza que alguma coisa em comum essas roupas tão diferentes tem entre si. Deve ser aí que está escondido o seu estilo que vc não achou. No fio que liga tudo isso!
    Beijos!

  • Lu Pimentel said:

    Dani, amei o post!
    Eu sou muito chata, quando pequena usava tudo, adolescente não usava nada, era um porre até com cores. Mas graças a Deus isso passa, né? hahaahahahaaha
    Eu gosto de coisas mais clássicas, mas minha profissão algumas coisas são complicadas… não uso blusas “peladas” tipo frentes únicas, etc, saia também é dificil, nunca sei se vou ter que subir em alguma laje… enfim.
    Acabo usando jeans, uma blusa mais legal pra ficar mulamba demais, agora adoro um salto… isso não tem jeito, às vezes me arrependo pq ando muito ,mas enfim amo…
    E enquanto vou tentando equilibrar na corda bamba da moda! :D
    beijos

    Daniela Reply:

    É, sua profissão é complicada. Tem que prezar pelo conforto, praticidade e tem até que ser um pouco conservadora, né? Eu me viraria direitinho, exceto que eu adoro cores claras e não sei se elas funcionariam nesses momentos. Meu dilema de trabalho é: eu trabalho em tribunal, o que supostamente é bem formal. Mas eu trabalho com processos sujos, pesados e com capas plásticas que me arranham e arranham minhas roupas. Não dá pra usar nada muito caprichado ou caro. Eu acabo trabalhando de jeans ou de roupas mais velhas. E sempre de mangas compridas, pq os braços ficam horríveis. Meio mulamba… triste! Hehehehe…
    Beijos!

  • Mi Müller said:

    Dani acho que esse exercício de reflexão é essencial para encontrarmos um estilo único e que reflita a nossa personalidade, tenho procurado fazer essa reflexão, pois sempre acabo comprando roupas que não uso porque elas não tem nenhuma relação comigo.
    estrelinhas coloridas…

    p.s. adorei a ilustra e esse site de onde tu tirastes ela, negócio de primeira!

    Daniela Reply:

    Meninaaaaa, o site das ilustrações é tudo, né? Enlouqueci quando descobri…
    Acho que a gente nunca escapa de comprar uma coisa ou outra que não tenha nada a ver com a gente. Mas quando acontece muito é hora de botar um certo esforço na hora da compra, né? Eu mesma tou com uma saia que comprei há menos de um mês e ainda não decidi onde ela se encaixa. Tá virando uma questão de honra, hehehehe…
    Beijos!

  • Lu Monte said:

    É um processo lento esse de descobrir o estilo pessoal. Comprei muita coisa à toa antes de descobrir que tipo de roupa realmente me faz feliz (porque a gente tem que colocar uma roupa e ficar feliz com o que vê no espelho, né?).

    Abandonei os saltões há uns anos (a não ser raramente, em festas ou lugares em que não tenha que dar mais de 10 passos) e de vez em quando sou criticada por isso. Também foi uma decisão motivada por problemas no joelho (e na coluna, btw) e hoje em dia fico tão confortável e satisfeita com minhas sapatilhas e saltinhos de 2 dedos que nem ligo pras críticas. :)

    Daniela Reply:

    Eu queria saber o que se passa na cabeça das pessoas que criticam quem não usa salto. Ou não usa brincos (eu), ou não usa qualquer outra coisa. Fala sério, né? Eu recebo críticas desse jeito até da minha mãe… Sangue do meu sangue…
    Vai entender.
    Beijos!

  • Jaque said:

    Bah, Dani! Finalmente encontrei alguém como eu e me sinto menos anormal: eu corto todas as etiquetas também, há muito tempo! Adorei teu post!

    Daniela Reply:

    Então fique sabendo que estamos em boa companhia. Sua conterrânea Gisele Bundchen tb corta todas elas. Eu vi numa entrevista dela na Vogue uma vez. Me senti validada, hahahaha…
    Beijos!

  • Vanessa Porto said:

    Vamos dizer que aos 37 anos eu já me conheço o suficiente pra não pagar micos nas roupas e tb pra não ficar desconfortável em algumas roupas.
    Tipo eu adoro sapato alto, mas sei que isso é um item que eu só posso usar se sar sozinha ou com marido. Pro trabalho também não gosto, pq volto de ônibus e ando bastante até chegar em casa, modos que de salto só mesmo quando for “charlar” (credo!)sozinha e de carro.
    Tem outras coisinhas, mas ainda falta mais, falta eu achar meu estilo ou ter certeza de uma vez que sou ecletica também nas roupas tanto quanto sou na musica…

    Daniela Reply:

    Eu acho que vc tá no caminho certo, Vani! E eclético também é estilo. Certamente se você procurar por um ponto comum em tudo o que você usa, você vai encontrar. Cores, materiais, cortes. Isso também é estilo!
    Beijos!

  • Gabi Butcher said:

    Bom… ainda não tenho este tal estilo próprio… ou melhor… até tenho – quando estou magra… acima do peso é BEM difícil seguir vontades e estilos. Infelizmente.

    Daniela Reply:

    Dá mais trabalho, mas impossível não é. Lógico que quando a moda é feita pra mulher manequim 36 a coisa complica, mas impossível não é. Precisa é de muito esforço e de muita tentativa e erro!
    Beijos!