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Barcelona, ai Barcelona…

7 fevereiro 2012 107 views 6 Comments

Escrever sobre Barcelona é difícil. Descobri isso nos últimos dias. Por melhor que eu escreva, por mais que eu edite e reescreva meu texto, não consigo expressar meu encantamento com a cidade, muito menos a alegria do meu sonho realizado. Não o suficiente.

Barcelona-2012

Em 1992 eu comecei a estudar espanhol – e consequentemente a Espanha. Era uma segunda opção, porque eu (como todo mundo) queria estudar inglês, mas a escola era pública e as vagas eram limitadas. Eu tinha a opção de pegar um outro idioma e depois de um tempo ter preferência nas vagas para fazer um segundo curso. Fiquei mesmo no espanhol e foi daí que nasceu esse amor, até agora sempre à distância com a Espanha. Nunca houve uma oportunidade de ir até lá, mesmo tendo morado tão perto. Até agora.

Foram menos de 4 dias e mesmo com jet lag e horários bagunçados, a gente tentou fazer o máximo possível com esse tempo. Foram 4 dias olhando pra cima, pros lados, tropeçando nas calçadas, porque não importa pra onde você olhe, tem algo lindo e interessante esperando pra ser visto.

Mas primeiro era preciso chegar. Nosso vôo saiu de Cingapura por volta de meia-noite e durou 12h até Milão. Na escala em Milão não deixaram a gente sair do avião, o que foi horrível depois de um vôo tão longo. Mas foi rápido e o trecho entre Milão e Barcelona foi feito em baixa altitude. Deu pra ver Mônaco, Nice, o mar, lindas vistas.

Ficamos no Le Meridién – Las Ramblas, muito elegante e confortável (mas não tinha wi-fi grátis, só no saguão). A localização é excelente, perto de tudo, com metrô, ônibus de turismo, tudo super acessível. Recomendo.

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Nossos passeios:

- No primeiro dia ficamos pelas Ramblas/Praça da Catalunha mesmo. O hotel só liberou o quarto pra gente ao meio dia e isso cortou o dia ao meio. Todo mundo dormiu absurdamente cedo, então foi um dia que só rendeu mesmo em termos de compras. E valeu pelo passeio no Mercado da Boqueria, que é o máximo. Pena eu não ter tido oportunidade de comprar nada por lá, porque as frutas são muito apetitosas!

- No segundo dia saímos cedo, decididos a comprar o passe do ônibus vermelho (City Sightseeing – hop on/hop off), que é caro, mas foi dos melhores gastos da viagem. São duas linhas (3 no verão), cada uma cobrindo uma área da cidade. Pegamos o passe de 2 dias e fizemos uma linha por dia. Se não fosse assim, não teríamos visto nada!

- A primeira parada que fizemos com o ônibus foi o Parc Guell (antes passamos pela Sagrada Família, mas não tinha a menor condição de parar, a fila absurda. Vimos do ônibus mesmo). Apesar de muito cheio, o parque ficou sendo um dos meus lugares prediletos da viagem. À medida que você vai subindo pelas escadas, as vistas e construções vão ficando mais lindos. Me arrependi muito de não ter levado um pequeno piquenique pra lanchar lá em cima. Aquela vista merecia um bom vinho, mas lá só tem fast-food. Pena…

- Dentro do Parc Guell tem um programa que eu NÃO recomendo (acho que toda viagem tem pelo menos um, né?): a Casa Museu Gaudi. É um museu dedicado à vida e obra do arquiteto, mas achei super fraco, restrito, claustrofóbico até. A exposição da Pedreira sobre a obra dele é muito melhor.

- Na mesma linha do ônibus fica o Camp Nou, estádio do Barcelona. Pra quem gosta minimamente de futebol é um super programa: museu (troféus, história, audiovisuais excelentes), passeio pelo estádio (arquibancadas, beira do campo, túnel, vestiários, cabine de imprensa, sala de imprensa – onde acontecem as coletivas) e a lojinha modesta do time – só tem 2 mil metros quadrados e vende até macarrão com a marca do Barcelona. Muitas possibilidades de souvenirs. Gostei demais, demais, demais. Não faça essa desfeita de ir a Barcelona e não ir ao Barcelona.

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- No dia seguinte o passeio começou pela Casa Milá, vulgo La Pedrera, um edifício de apartamentos projetado e construído por gaudi. O passeio começa pelo terraço do prédio, cheio de esculturas enormes. Depois segue para o sótão, que abriga uma exposição muito completa sobre o trabalho de Gaudi, com maquetes lindas, desenhos originais e audiovisuais modernosos. Em seguida você visita um apartamento do prédio, diferente de qualquer apartamento onde você já morou. As paredes nunca são retas, os detalhes são lindos, ambientes amplos e lindas vistas. Se não fosse a cozinha antiquada, eu teria feito um #occupylapedrera.

- Depois da Pedreira, almoçamos e voltamos pro ônibus. Fizemos o trajeto inteiro sem parar, subimos a montanha de Montjuic, descemos, passamos pelo porto, pela vila olímpica de 1992 e completamos o passeio com uma caminhada pelo Bairro Gótico, pertinho do hotel. Lá você encontra construções antiquíssimas misturadas com cafés simpáticos e lojas muito interessantes.

- Na mesma noite fomos ao Liceu, pertinho do hotel, para ver a ópera. O Liceu é um dos grandes teatros de ópera do mundo e é um daqueles lugares que parecem de mentira de tão lindos. Parece uma caixa de jóias. Fomos ver Linda di Chamounix, com duas grandes estrelas da ópera atual: Diana Damrau e Juan Diego Flórez. Excelente!

- No nosso último dia na cidade, eu tinha planejado visitar 3 museus, mas descobrimos que era feriado (Dia de Reis) e muita coisa estava fechada. Pegamos o metrô, o funicular de Montjuic (os dois são integrados, você paga uma só passagem) e subimos a montanha para ir à Fundação Miró. Aprendi que Miró não era lá muito normal e que a obra dele variava em estilo junto com as idas e vindas da política espanhola. Não conhecia muito sobre ele e foi bom pra conhecer, mas o acervo – com exceção de duas séries (Barcelona e Constelações) – não me agradou muito. Ah, mas tem wi-fi grátis no prédio inteiro, o que é raro.

- Ainda em Montjuic, ao lado da saída do funicular, fica a entrada do teleférico que leva ao Castelo de Montjuic, lá no topo da montanha. As vistas são fantásticas. Aliás, isso é uma coisa de Barcelona: todos os pontos turísticos mais legais tem vistas sensacionais. Não cheguei a entrar no castelo, mas só passear em volta já foi muito legal.

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***

Como era de se esperar, come-se muito bem em Barcelona. A regra é fugir dos lugares muito turistões, mas saber avaliar, porque alguns deles podem se revelar como gratas surpresas. Meu grande arrependimento nessa viagem foi não ter pesquisado melhor onde íamos comer. Fica a lição para as próximas viagens:

- Euskal – entramos nesse restaurante nas Ramblas (perto da Boqueria) com muita fome e torcendo pra não ser uma roubada. Não foi, pelo contrário. Pedimos tapas, uma paella e uma salada com queijo de cabra que era uma loucura. Tudo bom demais. Turistão-exceção.

- Escribà – chocolateria super antiga e tradicional, também nas Ramblas. O chocolate quente deles entra  no meu Hall of Fame de chocolates quentes pelo mundo. Só não vá muito perto da hora de fechar, porque o serviço certamente vai deixar a desejar (isso vale para todos os lugares – quando eles querem fechar e ir embora, eles querem fechar e ir embora).

- Samoa – fica perto da Pedreira e pela localização (Carrer del Rosselló com Passeig de Gracia) tinha tudo pra ser mais uma roubada. Mas quando você entra, encontra um ambiente bem decorado e uma comida muito gostosa. Mais uma vez a pedida foi salada com queijo de cabra (abençoadas sejam as cabras locais, que loucura!) e uma massa recheada maravilhosa.

- Farggi – na maioria dos dias tomamos café no lobby do hotel, mas no último dia de viagem fomos ao Farggi da Praça da Catalunha. Chocolate quente bem gostoso, croissants bons, chás de ótima qualidade… muito bons! Adoro café da manhã… E tem wi-fi grátis, descomplicado, aleluia!

- Cafe Zurich – também na Praça da Catalunha, tem mesas na calçada e como o frio estava bem ameno, pudemos sentar (bem agasalhados) lá fora e tomar mais chocolate quente com a Roberta e o Miguel. Conversa boa, chocolate bom, friozinho, tudo de bom!

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***

Óbvio que eu não viajo sem comprar, por mais careiro que seja o lugar. Em euros a coisa é meio dolorosa, mas convenhamos, em real também não tá nada fácil. Seja como for, cheguei a Barcelona com algumas prioridades e tentei matar todas no primeiro dia pra não perder tempo. Onde fomos:

- Zara – fui pra comprar roupas de inverno pro Lucas e não me decepcionei. Além da seção para meninos da idade dele ser enorme (na loja da Praça da Catalunha) – ao contrário da economia de espaço e criatividade que se encontra por aí –, as roupas estavam lindas e com preços excelentes. E o Lucas ainda tem a sorte de se encaixar muito bem no padrão Zara de corpo: estreito e comprido, vulgo slim. Já eu experimentei a loja toda e saí com 2 camisetas… A melhor aquisição: um blazer de lã pra ele, pelo equivalente a uns 90 reais. Pura elegância.

- Sephora – em frente à Zara, no shopping El Triangle. Loja grande, com várias marcas que eu só conhecia de ouvir falar. Comprei um batom lápis da NARS que eu adoro e achei a paleta Naked da Urban Decay que eu nunca tinha encontrado. Risquei umas poucas coisas da miha listinha e deixei os cremes pra comprar no free-shop.

- FNAC – fica em cima da Sephora e é muito lotada. Nem sequer consegui descobrir se era uma loja grande, porque só fiquei na área de videogames. Até pensamos em comprar uns jogos, mas era tudo só em espanhol e o caixa estava uma loucura. De qualquer forma, pareceu uma loja bem completa.

- Casa del Llibre – para quem quer comprar livros locais com um pouco mais de tranquilidade, essa loja (nas Ramblas) é bem legal. Muitos títulos em espanhol, muitos em catalão. Fiquei muito bem impressionada com os livros infantis locais: super qualidade, ilustrações impecáveis, ótima impressão e encadernação. Já me arrependi de não ter trazido nada.

- Kiko Make Up – quem gosta de maquiagem certamente já ouviu falar dessa marca italiana que é boa, bonita, barata e parece um parque de diversões. É o lugar de comprar souvenirs pras amigas sem falir. Eu me empolguei e dei aquela exagerada. Entre a paleta Naked e as sombras da Kiko, eu vou ter que usar sombra todos os dias pra justificar o gasto… A loja onde eu fui fica no Bairro Gótico e eu encontrei por acaso. Acaso feliz!

- Rituals – essa loja acabou de chegar ao Brasil, Vic Ceridono falou dela recentemente. É um festival de cheiros, com sais de banho, cremes, espumas, sabonetes, velas, tudo pra fazer do seu banheiro um spa. Eu certamente teria achado algo que gosto, mas cheguei lá cansada e ainda enjoada da viagem, não consegui lidar com os cheiros. Mas sei que praticamente todas as amigas iam amar. Fica a dica.

Não pode pegar, só olhar, tá Neymar!

- Lojas de museus – já falei pra vocês que eu sou a louca da loja de museu? Que eu vou a lojinhas de museus que eu nem sequer visitei? Em Barcelona as lojas são todas de muito bom gosto e vendem peças lindas de decoração que eu adoraria ter na minha casa. O problema é que são quebráveis. Menção honrosa pra loja no térreo da Pedreira, fantástica. E eu tinha ótimas expectativas em relação à loja da Fundação Miró, mas ela fecha 15min ANTES do fechamento do museu, não depois, como ditaria a boa lógica. É que a gente sabe que os espanhóis estão muito bem de vida, finanças impecáveis… #ohwait. Pois é.

- Agora algo inacreditável: não fomos ao El Corte Inglés. Deixamos pra ir no último dia e demos com a cara na porta porque era feriado. Oh well…

- E uma dica de compras ainda no Brasil: uns dias antes de viajar eu fui à livraria e comprei o livro Barcelona a Pé, que traz 20 roteiros para serem feitos a pé ou com algum uso de transporte público. Por razões de tempo curto, não consegui fazer os roteiros que queria, mas vários coincidiam com pontos do itinerário do ônibus vermelho, então dava pra ir vendo as coisas e lendo sobre elas no livro. Super ajuda!

Tem wi-fi, gente, me deixa!

É isso. Quatro dias, muita andança, muita comilança. E muita vontade de voltar de novo… Ai Barcelona…

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6 Comments »

  • Maysa said:

    Miró é muito amor… Sem mais.

    Daniela Reply:

    Dude, Miró é doido. Dentro do museu tem uma semi-arquibancada pra vc sentar e admirar uma tela branca de parede inteira que tem… tadã… um risco preto. Um só. Sozinho. Preto. No branco. Só um risco.
    Enfim…

    Maysa Reply:

    Mas não é isso que a gente admira nas obras das nossas crianças? A simplicidade? O contraste? o WTF’ness que enche nossos corações de amor, orgulho e “quem vai apagar essa poha da parede!?”?

    Isso é arte amiga! =D

    Daniela Reply:

    Mas essa aí é de graça, pô!!!

  • Ana said:

    Ai, deu vontade, viu? Delícia de viagem!

    Daniela Reply:

    Ana, vá! Te recomendo muito. Não espere 20 anos como eu esperei, viu. Vá!
    Bjs!